Você sabe o quanto custa da sua saúde numa temporada, bailarino?


Um estudo transversal publicado em Julho de 2024, trouxe mais de 1600 autorrelatos de bailarinos profissionais que foram acompanhados durante 44 semanas de uma temporada e os achados são surpreendentes.
O estudo chamado “Health Problems of Professional Ballet Dancers: an Analysis of 1627 Weekly Self-Reports on Injuries, Illnesses and Mental Health Problems During One Season” realizou a análise da frequência e as características de todas as queixas de saúde física e mental autorrelatadas (ou seja, lesões, doenças e problemas de saúde mental) por 57 bailarinos profissionais na Alemanha.
Das maiores queixas citadas, cerca de 82% relataram dores musculoesqueléticas, sendo que 96,5% relataram pelo menos uma lesão, mais da metade relatou que adoeceu no período e 28% relatou algum problema de saúde mental e esses resultados são extremamente alarmantes.
E antes que você venha dizer que “na dança é assim mesmo”, é importante salientar que já existem formas de manter uma temporada de dança, sem que haja tanto prejuízo físico e mental através de uma boa equipe interdisciplinar e aplicação de estratégias de periodização (mesmo que através de micro ciclos) para amenizar esses prejuízos ou pelo menos deixar a cia de dança, preparada para eventuais imprevistos.
Nos dados citados, as lesões afetaram principalmente tornozelo, coxa, pé e parte inferior das costas e ocorreram principalmente durante o ensaio (41,6%) ou treinamento (26,1%). As razões subjetivas mais frequentes de lesão foram "muita carga de trabalho" (35,3%), "cansaço/exaustão" (n = 22,4%) e "estresse/sobrecarga/regeneração insuficiente" (n = 21,6%).
E apesar de não estar surpresa com os dados (porque bem sabemos que infelizmente a cultura do “no pain no gain” assola a dança), é importante ilustra-los para que mudanças sejam cada vez mais aplicadas como vemos em outras cias de dança na Europa.
Eu sempre falo sobre o Ballet Healthcare em Londres por, além de ser um centro de referência em cuidado dos bailarinos do Royal, também é um centro de pesquisa de ciências da dança que está sempre em busca das resoluções de problemas como esse.
E claramente, o artigo termina enfatizando a URGENCIA em intervenções preventivas para reduzir não só os problemas musculoesqueléticos, mas também problemas de saúde física e mental.
Ass: Tamires Reis
Profissional de Educação Física - Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
CREF: 154495- G/SP / DRT: 34.021




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